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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Cefaléia na mulher
A enxaqueca é conhecida há mais de 7.000 anos, afetando grande parte da população do mundo inteiro de forma mais ou menos intensa. Há uma prevalência elevada de enxaquecosos na população e grande parte deles tem pelo menos três crises por mês. Com isso, muitos pacientes abandonam suas atividades, gerando grande impacto social. Nos Estados Unidos, cerca de um bilhão de dólares por ano são perdidos em razão da baixa produtividade determinada pela enxaqueca. Por outro lado, os custos diretos e indiretos atingem 17 bilhões de dólares num ano.
A prevalência é de 6% em homens e 15% em mulheres. Nas mulheres, esta prevalência aumenta durante o período fértil e reduz após a menopausa.
A mulher passa por várias fases em seu ciclo de vida dependentes da fase hormonal: puberdade, ciclos menstruais, pílulas anticoncepcionais, gestação, menopausa e em alguns casos, reposição hormonal. Todas essas fases podem influenciar na freqüência, intensidade e duração das dores de cabeça. Por isso cada mulher deve ser avaliada individualmente para que seja estudada a melhor estratégia de combate à dor.
A enxaqueca pode ocorrer exclusivamente antes, durante ou imediatamente após a menstruação. Este tipo é denominado enxaqueca menstrual. Afeta cerca de 14% das mulheres com enxaqueca. Outro tipo é a enxaqueca que se exacerba no período menstrual, mas ocorre em todas as fases do ciclo. Esta engloba 60 a 70% dos casos.
Na gestação, observa-se uma atenuação das crises a partir do 2°trimestre gestacional e o aparecimento rápido da migrânea no período puerperal. Na menopausa, observa-se em geral a melhora das crises em todos os seus aspectos e muitas mulheres apresentam remissão completa. Caso a mulher faça qualquer tipo de terapia de reposição hormonal, a enxaqueca pode reaparecer.
A melhor forma de abordagem é inicialmente realizar um diário detalhado, incluindo os dias de dor, a intensidade e os dias do ciclo Esse diário é extremamente importante para se detectar a relação da dor com as fases do ciclo.
O tratamento terá algumas diferenças se a enxaqueca for exacerbada na menstruação ou se for menstrual verdadeira. O tratamento pode ser preventivo, onde são administrados medicamentos de uso contínuo para evitar que as crises apareçam, ou pode ser sintomático, administrado durante a crise para abortá-la. Deve-se ter muito cuidado com o uso excessivo de analgésicos que podem piorar a freqüência de dor ao longo do tempo. O tratamento preventivo deve ser considerado quando há três ou mais crises por mês que sejam prolongadas e não responsivas a medidas sintomáticas.
O tratamento não medicamentoso inclui a conscientização do paciente em relação à doença como fundamentalmente biológica, de predisposição genética. Devem-se evitar fatores desencadeantes e agravantes comprovados para o seu caso particular.
Enxaqueca e gravidez
Quando analisamos o tratamento da gestante que sofre de enxaqueca crônica, devemos levar em consideração os efeitos tanto da enxaqueca, quanto das medicações sobre a mãe e sobre o feto. É preciso lembrar que a maioria das mulheres apresenta melhora da freqüência das crises durante a gravidez, e avaliar possíveis riscos sobre o feto das medicações utilizadas para o tratamento.
Sendo assim, o uso de medicamentos preventivos no período gestacional deve ser analisado com muito critério e, na maioria das vezes, evitado. As medidas não farmacológicas, tais como o repouso, o biofeedback, o relaxamento e o gelo são boas alternativas. Entretanto, algumas mulheres continuam a apresentar crises intensas, freqüentes e refratárias aos tratamentos instituídos, algumas vezes associadas a náusea e vômitos com o risco de desidratação em alguns casos, colocando em risco a saúde da paciente e do feto. Nestes casos, a paciente e o seu cônjuge devem participar da decisão e conhecer os benefícios e os riscos que o tratamento pode produzir. As drogas mais frequentemente prescritas nessas pacientes são os beta-bloqueadores. Se a enxaqueca for muito intensa ou existirem outras doenças associadas, outras drogas podem ser utilizadas, de acordo com o grau de risco de cada medicamento.Assim como na gravidez, durante a lactação, as medicações profiláticas devem ser, tanto quanto possível, evitadas. As medidas alternativas como as terapias físicas e o biofeedback devem ser as preferidas.
Por Dra. Maria Eduarda Nobre
Mestrado e Doutorado em Neurologia pela UFF
email: menobre@bol.com.br
Miomas Uterinos
O que são miomas?
Miomas são tumores benignos (não-cancerosos) dos músculos do útero.
Os miomas são extremamente comuns, sendo estimado que afetam uma em cada cinco mulheres em idade fértil. Aproximadamente 20% das mulheres entre 20 e 30 anos, 30% entre 30 e 40 anos e 40% entre 40 e 50 anos apresentam miomas.
Os miomas podem apresentar variações quanto ao tamanho e crescem lentamente. Não é clara a causa dos miomas, mas sabe-se que seu desenvolvimento depende do hormônio feminino estrógeno. Em geral, os miomas param de crescer e diminuem na menopausa, quando os níveis de estrógeno se reduzem. Quais são os sintomas? Os miomas podem não causar nenhum sintoma. Eles podem, por exemplo, ser descobertos por acaso durante um exame ginecológico de rotina. Algumas mulheres, todavia, podem apresentar sangramento excessivo durante a menstruação ou sangramento irregular, fatos que podem levar à anemia. Os miomas de maior tamanho podem pressionar os órgãos à sua volta, como a bexiga ou intestino, provocando sintomas como dificuldade de urinar ou, algumas vezes, necessidade de urinar freqüentemente. Os miomas também podem causar certo desconforto, o que significa desde uma leve dor nas costas até fortes dores em baixo ventre. A gravidade dos sintomas está relacionada ao tamanho, número e localização dos miomas. Pode haver, algumas vezes, uma associação entre miomas e infertilidade (impossibilidade de engravidar). Caso você tenha miomas, deve discutir o tratamento com seu médico antes de engravidar. Quais as opções de tratamento? Alívio dos sintomas. Se os miomas são pequenos e não causam desconforto, seu médico poderá concluir que não há necessidade de tratamento, recomendando somente exames de acompanhamento. Caso você esteja grávida, provavelmente seu médico vai prescrever analgésicos e solicitar que seja feito um controle mais cuidadoso durante a gestação. Para as mulheres que apresentam sintomas como dor ou sangramento menstrual excessivo devido aos miomas, uma das opções é o tratamento hormonal com substâncias como a progesterona. O organismo, quando recebe doses elevadas de progesterona, reage como na gravidez, interrompendo a menstruação. Os efeitos colaterais são semelhantes aos sintomas que ocorrem antes da menstruação, como retenção de água (inchaço) e, eventualmente, alteração de humor. Cirurgia As cirurgias feitas para retirar os miomas são, em geral, a miomectomia, que é a retirada do(os) mioma(s) e a histerectomia, que é a retirada completa do útero. Para mulheres mais jovens que queiram manter a capacidade de engravidar, a miomectomia pode ser o procedimento de escolha. Razões psicológicas podem levar as mulheres a decidir por não remover o útero. Os miomas de localização subserosa (camada externa) podem ser extirpados tanto por laparotomia (abertura do abdômen por cirurgia convencional) quanto por videolaparoscopia (cirurgia com câmera,sem abertura do abdome). Os miomas submucosos (camada interna), têm na videohisteroscopia a solução ideal: conservadora e pouco traumática. Uma vez que o útero ainda permanece intacto, existirá sempre a possibilidade de surgirem novos miomas. A histerectomia é, com freqüência, recomendada para mulheres mais velhas que já tenham constituído família ou não desejam ter filhos. A histerectomia pode ser realizada tanto por via vaginal como através do abdome, dependendo do seu médico achar mais apropriado. Terapia Hormonal Suplementar O uso de medicamentos tem resultado temporário ou ineficiente; cessado o efeito das drogas, os miomas voltam a crescer e os sintomas reaparecem em poucos meses. Uma nova classe de medicamentos conhecida como análogos do LHRH é utilizada como auxílio no preparo da cirurgia com miomas. Os análogos do LHRH provocam a quase completa interrupção da eliminação de estrógeno pelos ovários. O resultado disso é que os miomas que são dependentes dos estrógenos diminuem de tamanho, o que pode tornar a cirurgia mais simples e rápida. Pode também oferecer maior flexibilidade na escolha da data de realização do procedimento cirúrgico. Além do mais, com a interrupção da menstruação, as mulheres que apresentam sangramento muito intenso têm tempo para se fortalecer e melhorar da anemia, para que estejam em melhores condições para cirurgia. Como a cirurgia requer uma incisão menor após o uso do análogo do LHRH, há a probabilidade da redução da perda sanguínea, tornando o pós operatório mais tranqüilo. Como os miomas voltam a aumentar de tamanho com a parada da análogo LHRH, eses agentes não são indicados para o uso a longo prazo, mas sim para uso antes da cirurgia. Os efeitos colaterais dos análogos do LHRH incluem sintomas da menopausa, como ondas de calor, sudorese, ressecamento vaginal e perda de cálcio dos ossos, que são na maior parte das vezes reversíveis.
Tratamentos alternativos
A) Ultra-som de alta intensidade guiado por ressonancia magnética
1. O que é o ExAblate®2000?
Um tratamento não invasivo para miomas que combina o exame de RM com o ultra-som de alta intensidade para tratar tumores sem a necessidade de incisão (cortes) ou hospitalização. Atualmente é utilizado em mais de 50 centros médicos de referência por todo o mundo (Estados Unidos, Europa, Ásia) e mais de 3.500 pacientes já foram tratadas com sucesso. O
2. O que a paciente sente durante o tratamento?
As pacientes permanecem conscientes, podendo se comunicar com o médico durante todo o tratamento. Recebe uma sedação leve e muitas relatam apenas a sensação de calor no abdome durante o procedimento.
3. Quanto tempo dura o tratamento?
De 2 a 3 horas, dependendo do tamanho do mioma.
4. Quanto tempo depois do tratamento a paciente retorna às atividades normais?
Nos tratamentos já realizados, em média de 1 e 2 dias. Dependendo dos sintomas iniciais, a maioria das pacientes relata alívio dos sintomas provocados pelos miomas após 3 meses do tratamento.
5. O que esperar do tratamento?
Dependendo dos sintomas iniciais, a maioria das pacientes relata alívio dos sintomas provocados pelos miomas, nas primeiras semanas após o tratamento. A melhoria é gradual e usualmente se intensifica após os 3 meses do tratamento. A redução do volume do mioma acontece em um prazo mais longo.
6. O mioma pode retornar após o tratamento?
O mioma tratado com o ultra-som guiado por RM não cresce novamente, mas os não tratados ou novos miomas podem crescer ou surgir.
7. Quais os riscos desse procedimento?
Existem riscos que incluem: queimadura da pele, dor lombar ou nas pernas, cólicas abdominais, náuseas, febre, secreção vaginal e infecção urinária. A incidência dessas complicações é relativamente baixa. Existe também a possibilidade do tratamento não ser bem sucedido no alívio dos sintomas ou, apesar do resultado positivo inicial, outros miomas crescerem e necessitarem de tratamento. Isso é verdadeiro para todos os outros tipos de tratamento para miomas, exceto a histerectomia.
B- Embolização da artéria uterina
A embolização arterial vem sendo praticada desde 1980 como tratamento de certas hemorragias genitais resistentes. A partir de 1989, passou a ser também um tratamento não cirúrgico específico para os miomas uterinos.
Trata-se de procedimento minimamente invasivo. Seu objetivo é interromper a circulação sangüínea que nutre os miomas, de modo a resolver o problema de forma rápida e duradoura, e propiciar a preservação do útero e fertilidade.
Esta perspectiva conservadora encontra importante eco e simpatia na população feminina, graças à possibilidade potencial de aliviar os sintomas sem a perda do órgão matriz, que tem tanto simbolismo para sua feminilidade.
Resultados
Nos Estados Unidos e na Europa já foram tratadas milhares de pacientes com este método (acima de 50.000). No Brasil há experiência de centenas de casos e os resultados são semelhantes aos obtidos nos outros centros do mundo.
Após o primeiro mês do tratamento, 90% das pacientes já apresentaram melhora dos sintomas; e 95%, após três meses.Os primeiros sintomas que melhoram dramaticamente são a hemorragia e a dor, já no primeiro período menstrual pós-embolização. Por isso, verifica-se, alto índice de satisfação e de recomendação para outras pacientes.
A diminuição do útero e dos nódulos de mioma se faz gradativamente, obtendo-se a maior resposta após os 6 primeiros meses, quando encontramos uma redução de 50 a 70%. Em alguns casos esta diminuição é maior, podendo chegar a 75%.
Os miomas não desaparecem por completo: eles sofrem um processo de atrofia e calcificação. Tornam-se assintomáticos, ou seja, não causam mais problemas, e param definitivamente de crescer. Sabe-se que os miomas podem continuar diminuindo de tamanho até 2 anos após a embolização. Não há registro de casos nos quais os miomas voltaram a crescer ou de aparecimento de novos nódulos. Outros pequenos miomas eventualmente existentes, que poderiam crescer no futuro, são também atingidos pela embolização e sofrem a mesma involução.
Vantagens Em relação à retirada cirúrgica dos nódulos:
· menor duração do procedimento, menor sangramento intra-operatório, menor risco de complicações · menor prazo de recuperação da paciente
· incisão muito pequena: a cicatriz é mínima
· preservação estrutural útero: a retirada cirúrgica de múltiplos miomas pode provocar fragilidade na parede muscular do útero, gerando um risco de deformação do órgão, prejudicial, inclusive, a uma futura gravidez.
Em relação à retirada do útero, tanto a embolização quanto a retirada cirúrgica dos nódulos oferecem vantagens: não apenas a preservação da fertilidade, mas também evita-se os vários efeitos negativos da histerectomia. Por Maurício Magalhães Costa - mamcosta@yahoo.com Mestre e Doutor em Ginecologia pela UFRJ Chefe do Setor de Oncologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ Fellow da American Society of Breast Disease e Vice-Presidente da Federação latino-americana de Mastologia
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